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segunda-feira, 10 de março de 2014

Seu Olhar

Seus olhos são como calda de caramelo
Em uma noite de inverno,
Sentada tomando sorvete
Esperando uma estrela cadente

Faço um pedido, quero o seu sorriso comigo
Seu olhar carinhoso e seu sorriso bondoso
Passeando no bosque pensando em ti,
Minha noite seria perfeita
Se você estivesse aqui

Encontro seu olhar na porta de casa
Com sorriso de orelha a orelha
Me lembro da estrela,
Meu pedido se realizou
E minha vida você completou.

(Emily Manzo)   

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Iluminuras

Pensamento vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
que no peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Porque é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo chora
cresce com seu fermento;
pensamento dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento.

(Arnaldo Antunes)

Solitário

Como um fantasma que se refugia,
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta
Cortava assim como em carniça
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça
E eu saí, como quem tudo repele
-Velho caixão a carregar destroços-

Levando apenas na tumbas carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

(Augusto dos Anjos)

"Busque Amor novas artes, novo engenho..."

Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças, 
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde
vem não sei como, e dói não sei porquê

(Luís de Camões)

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa

(Cora Coralina)

"O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois, 
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

(Cecília Meireles)

"Porque Deus permite..."

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)