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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Solitário

Como um fantasma que se refugia,
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta
Cortava assim como em carniça
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça
E eu saí, como quem tudo repele
-Velho caixão a carregar destroços-

Levando apenas na tumbas carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

(Augusto dos Anjos)

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